Gerrit Willem Dijsselhof, 1895-1915
domingo, 29 de setembro de 2019
sexta-feira, 19 de julho de 2019
quarta-feira, 17 de julho de 2019
Cão Celeste #13
Capa de Ana Menezes
Colaborações de Abel Neves
Alexandre Esgaio
A. Maria de Jesus
Ana Biscaia
Ana Isabel Soares
André Lemos
Andrea Bassani
Andreia Sarabando
António Barahona
Bruno Borges
Bruno Dias
Bruno Guerra
Cláudia Dias
Daniela Fortuna
Daniela Gomes
Débora Figueiredo
Diniz Conefrey
Emanuel Jorge Botelho
Fernando Guerreiro
Gil de Carvalho
Guilherme Faria
Isabel Baraona
Isabel Nogueira
João Concha
John Mateer
Jorge Roque
José Carlos Soares
José Francisco Azevedo
Luís Filipe Parrado
Luís Henriques
Manuel de Freitas
Manuel Diogo
Miguel Martins
Nunes da Rocha
Ricardo Álvaro
Ricardo Castro
Rui Pires Cabral
Serena Cacchioli
Silvia Giacomini
Silvina Rodrigues Lopes
Tania de Léon
Urbano
domingo, 14 de abril de 2019
sexta-feira, 1 de março de 2019
quinta-feira, 5 de julho de 2018
domingo, 17 de junho de 2018
OS PARAÍSOS ARTIFICIAIS
Na minha terra, não há terra, há ruas;
mesmo as colinas são de prédios altos
com renda muito mais alta.
Na minha terra, não há árvores nem flores.
As flores, tão escassas, dos jardins mudam ao mês,
e a Câmara tem máquinas especialíssimas para desenraizar as árvores.
Os cânticos das aves - não há cânticos,
mas só canários de 3.º andar e papagaios de 5.º.
E a música do vento é frio nos pardieiros.
Na minha terra, porém, não há pardieiros,
que são todos na Pérsia ou na China,
ou em países inefáveis.
A minha terra não é inefável.
A vida da minha terra é que é inefável.
Inefável é o que não pode ser dito.
JORGE DE SENA
[Bruce Davidson]
MANHÃS
Pendurada numa corda da roupa de um sétimo andar,
atrás de um prédio enferrujado,
todas as suas varandas envidraçadas ou com grades,
ali, em cada manhã, está uma pequena gaiola quadrada.
Cativo nesta provocação contra o céu,
nesse intervalo reflexivo entre apelo e canção,
esse Vazio que as aves nos "ofereceram",
ali na perversidade fixa de uma vertigem,
o tentilhão debate-se esporadicamente, desarmado,
mudo. Não, freneticamente vocal, mas sem ser ouvido.
Queremos que isto seja uma ode.
John Mateer
in Telhados de Vidro n.º 18, trad. de Inês Dias,
Lisboa: Averno, Maio de 2013
sexta-feira, 30 de março de 2018
#12
Cão Celeste n.º 12,
com capa de Bruno Borges,
Lisboa, Dezembro de 2017
Colaborações de:
Abel Neves - Alexandre Esgaio - Ana Biscaia - Ana Isabel Soares - Ana Menezes - Antonia Pozzi - Bruno Dias - Carlos Nogueira - Carlos Pombo - Cláudia Dias - Daniela Fortuna - Daniela Gomes - Débora Figueiredo - Diniz Conefrey - Fabio Weintraub - Fernando Guerreiro - Gil de Carvalho - Guilherme Faria - Hugo Pinto Santos - Inês Dias - Isabel Baraona - Isabel Nogueira - João Concha - Jorge Roque - José Alberto Oliveira - José Carlos Soares - José Feitor - Jules Renard - Manuel A. Domingos - Manuel de Freitas - Manuel Diogo - Maria João Worm - Miguel de Carvalho - Miguel Martins - Nunes da Rocha - Pablo Fidalgo Lareo - Pádua Fernandes - Paulo da Costa Domingos - Pedro Burgos - Ricardo Castro - Tiago Manuel - Urbano - Vítor Nogueira
domingo, 25 de fevereiro de 2018
(Des)acordo
Inês Lourenço
citada por António Barahona
in Raspar o fundo da gaveta e enfunar uma gávea,
Lisboa, Averno, 2011
sábado, 4 de novembro de 2017
PRÉMIO NACIONAL DE POESIA DIÓGENES – 2016
O Prémio Nacional de Poesia Diógenes, atribuído pela revista Cão Celeste e com o valor pecuniário de €1500, distinguiu, de entre os livros publicados em 2016, Nove fabulo, o mea vox | De novo falo, a meia voz, de Alberto Pimenta (Lisboa, Pianola, 2016).
A decisão do júri – constituído por Ana Isabel Soares, Diogo Dória e Hugo Pinto Santos – foi tomada por unanimidade.
[Guillaume de Tignonville, 'Les dits moraulx des philosophes', France. c. 1473
- Free Library of Philadelphia, Lewis]
sexta-feira, 29 de setembro de 2017
SETEMBRO
"Seldom we find" says Solomon Don Dunce
"Half an idea in the profoundest sonnet"
Edgar Allan Poe
A fisionomia, o carinho das coisas impalpáveis,
o balbuciar, todo em amarelo, dos limões...
Cintura na pedra, correio subtil de Lesbos para Marte.
Antinous visitou-me. Deixou a casa desarrumada
e um projecto em mim demasiadamente longo.
No frágil da memória eu durmo e sou eu,
deuses de papelão sentando-se a meu lado.
No leito fluvial por onde dorme o cisne
chamam por mim os outros príncipes. Todos
irmãos.
Escuridão nova na velha escuridão,
efeito de luz nas janelas do poema...
O meu cão dorme. He is a poet, isn't he?
Mário Botas
in Aventuras de um Crâneo e outros textos,
org. de Daniela Gomes, Inês Dias, Luis Manuel Gaspar e Manuel de Freitas,
sexta-feira, 15 de setembro de 2017
sexta-feira, 8 de setembro de 2017
Era um país, um corpo,
uma cidade de ossos
calcinados, onde nem cães
metiam o dente.
E o corpo é um cristal lívido
no centro d'uma praça, deportado,
límpido, onde nem os homens
se atrevem.
A cidade aposta-se toda
na espessura do sono, na
candura banal, vulgar,
do país em ruína:
impaciente.
uma cidade de ossos
calcinados, onde nem cães
metiam o dente.
E o corpo é um cristal lívido
no centro d'uma praça, deportado,
límpido, onde nem os homens
se atrevem.
A cidade aposta-se toda
na espessura do sono, na
candura banal, vulgar,
do país em ruína:
impaciente.
Paulo da Costa Domingos, Cal,
com prefácio de Vitor Silva Tavares, Lisboa, Averno, 2015
VEIO A ESSA HORA
Não vive neste bairro.
As lojas não conhece.
Não conhece esta gente
que se afana por elas.
Não sabe prò que veio.
Não compra aqui a imprensa.
Só recorda as esquinas
de que os cães bem se lembram.
As janelas acesas
aumentam-lhe a tristeza.
Coração transeunte,
junto às casas recentes
caminha a vacilar,
como alguém a quem levam.
O vento do subúrbio
enreda-se em suas pernas.
A rua como outrora.
E como outrora alheia.
E o ar escurecido,
a noite que se abeira.
Quando dobra a esquina
e aperta o passo, sonha
que o tempo não mudou
brincando a que regressa.
Depois passa distraído,
e pensa: foi uma época.
As lojas não conhece.
Não conhece esta gente
que se afana por elas.
Não sabe prò que veio.
Não compra aqui a imprensa.
Só recorda as esquinas
de que os cães bem se lembram.
As janelas acesas
aumentam-lhe a tristeza.
Coração transeunte,
junto às casas recentes
caminha a vacilar,
como alguém a quem levam.
O vento do subúrbio
enreda-se em suas pernas.
A rua como outrora.
E como outrora alheia.
E o ar escurecido,
a noite que se abeira.
Quando dobra a esquina
e aperta o passo, sonha
que o tempo não mudou
brincando a que regressa.
Depois passa distraído,
e pensa: foi uma época.
Jaime Gil de Biedma
in Antologia Poética, sel. e trad. de José Bento,
Lisboa, Cotovia, 1992
quinta-feira, 17 de agosto de 2017
# 11
Capa de Maria João Worm.
Colaborações de:
Abel Neves, Alberto Pimenta, Alexandre Esgaio, Ana Biscaia,
Ana Menezes, Antoine Sarnago, António Barahona,
Bárbara Assis Pacheco, Bruno Borges, Cláudia Dias, Daniela Fortuna, Débora Figueiredo, Dede Fernandes, Dedo Mau, Elisabete Marques, Emanuel Jorge Botelho, E. M. de Melo e Castro, Gil de Carvalho, Guilherme Faria, Hugo Pinto Santos, Inês Dias, Isabel Baraona,
Isabel Nogueira, Jaime Rocha, João Chambel, João Concha,
João Paulo Esteves da Silva, Jorge Roque, José Feitor,
Manuel A. Domingos, Manuel de Freitas, Manuel Diogo,
Manuel Machado, Maria da Conceição Caleiro, Maria João Worm, Miguel de Carvalho, Miguel Martins, Pablo Fidalgo Lareo,
Pádua Fernandes, Paulo da Costa Domingos, Pedro Burgos,
Ricardo Álvaro, Ricardo Castro, Ricardo Marques, Rui Baião,
Tiago Manuel, Urbano e Zepe.
terça-feira, 15 de agosto de 2017
segunda-feira, 10 de julho de 2017
PÕE OS OLHOS NA ÁGUA
"[...] mudar
o mundo (mudá-lo para onde?).
[...]"
José Miguel Silva
in Cão Celeste n.º 8, Lisboa, Dezembro de 2015 |
Últimos Poemas, Lisboa, Averno, 2017
quinta-feira, 1 de junho de 2017
sábado, 22 de abril de 2017
A EITO
Cada verso começa com uma maiúscula
Cada verso é um portal
KILGORE TROUT JR.
Até fazer uma lombada mínima
Assim começo
Nada aqui é fingimento ó pé-de-salsa
Nem o que deveras sinto
Ocupo a clareira da poesia
Para fumar um cigarro em paz
Aí, no bravio descampado
Por minha conta
Estendo-me como uma asa
Ao tráfico da carne
E enquanto travo o fumo cinzento
Procuro palavra a palavra
Outra coisa
Um cão ao sol
Um caderno sensível abandonado num campo
Que alumie no regresso a casa
Os lugares escuros do quarto
E afaste a manhã conformada
Atrás da porta
Para onde não haja nem palha nem grão
Nem bafinho de menino
Ou galo a cantar.
João Almeida, Hotel Zurique,
com capa de Luís Henriques e arranjo gráfico de Pedro Santos,
Lisboa, Averno, 2017
Subscrever:
Mensagens (Atom)







