sábado, 13 de agosto de 2016

# 9



Com capa de André Lemos
e colaborações de  Abel Neves, 
Ana Biscaia, 
Ana Menezes, 
Antonia Pozzi, 
António Barahona, 
Bruno Borges, 
Bruno Dias, 
Carlos Nogueira, 
Cláudia Dias, 
Daniela Fortuna, 
Daniela Gomes, 
Débora Figueiredo, 
Diniz Conefrey, 
Emanuel Cameira,
Emanuel Jorge Botelho, 
Gil de Carvalho, 
Guilherme Faria, 
Hugo Pinto Santos, 
Inês Dias, 
Isabel Baraona,
Isabel Nogueira, 
João Chambel, 
João Concha, 
Jorge Roque, 
José Ángel Cilleruelo, 
Lima Prado, 
Luís França, 
Luís Henriques, 
Manuel A. Domingos, 
Manuel de Freitas, 
Manuel Diogo, 
Maria da Conceição Caleiro, 
Maria João Worm, 
Miguel de Carvalho, 
Miguel Martins, 
Miguel Pereira, 
Nunes da Rocha, 
Pablo Fidalgo Lareo, 
Paulo da Costa Domingos, 
Ricardo Álvaro, 
Ricardo Castro, 
Ricardo Marques, 
Rui Baião, 
Rui Pires Cabral, 
Saldanha da Gama, 
Silvina Rodrigues Lopes, 
Tania de Leon, 
Tiago Manuel, 
Urbano, 
Vítor Nogueira, 
Vitor Silva Tavares e Zepe.

sábado, 6 de agosto de 2016

sábado, 16 de julho de 2016



[Kurt Vonnegut on the beach with his dog, 
taken by his wife, photographer Jill Krementz]

sexta-feira, 3 de junho de 2016

CONSCIÊNCIA


O cão que persegue os pássaros não sabe
que nunca vai voar,
nem a encrespada onda que atingia a tua imensa
altura de criança conhecia
o seu destino de charco desfeito pelo vento.
E aquela nuvem também não
acordará inquieta, a meio da noite,
receando a chuva caída sobre os campos,
nem o pintassilgo que esculpe os seus sons de prata
nos muros do ar
se queima na cinza do seu próprio cantar.
Mas eu sei, quase nasci a saber,
que um dia não estarei sobre o teu coração
para compreender tudo.


Ángel Mendoza
in Criatura n.º 6, trad. Inês Dias,
Núcleo Autónomo Calíope / Associação Académica da Faculdade de Direito de Lisboa, 2011





[Inês Dias, 'A perspectiva da morte, 14/06/016]

quarta-feira, 11 de maio de 2016

DESIRE

A fome, o amor, o desabrigo,
nenhum mal é comparável à miséria 
dum emprego, com as horas escoltadas 
por minutos, os minutos como lápis 
afiados, rasurando dia a dia
o animoso galarim das faculdades.

A questão, uma vez mais, é recusar;
desde logo, a protecção dos que traficam 
com a liberdade alheia, o conforto
de servir os mediáticos negreiros,
cuja sorte se cimenta no apelo
que dirigem ao pior de cada um.

Pois aquilo a que chamais a liberdade
(a coleira do consumo para muitos, 
para poucos a gestão do entreposto)
não é mais do que extorsão e propaganda,
centenária manobra de fidalgos 
educados no prazer da injustiça.


- JOSÉ MIGUEL SILVA
in Walkmen, com Manuel de Freitas, 
capa de Daniela Gomes e arranjo gráfico de Olímpio Ferreira,
 Lisboa: & etc, 2007


quinta-feira, 7 de abril de 2016


"[...]
La poesía pretende cumplir la tarea de que este mundo no sea sólo habitable para los imbéciles."


quarta-feira, 9 de março de 2016

2012 | 2015 | ...


«Algures entre o jornal e a revista, o Cão Celeste pretende apenas ganir, ladrar com raiva ou paixão, amar ou odiar sem peias aquilo que o mundo quotidianamente lhe dá a ver. De seis em seis meses, os leitores interessados terão notícias nossas.
Mas não somos um grupo, não obedecemos a qualquer cartilha literária ou política que possa servir para classificação geral. Este é, antes de mais, um espa...ço de encontro entre pessoas que ainda consideram urgente o livre exercício da crítica, do pensamento ou da revolta. E é justamente em nome dessa precária liberdade que prescindimos de qualquer apoio exterior, passível de condicionar os nosso gestos.
Repudiamos, de modo inequívoco, o acordo ortográfico pretensamente em vigor - e fazemos questão de sublinhar, sempre que possível, essa repulsa. Mas temos outros ódios, claro - e, felizmente, afectos e devoções não menos intensos. Apesar de tudo, e ainda que de longe em longe, a lanterna de Diógenes mantém o seu esquivo e necessário fulgor.»
 

Editorial
in Cão Celeste n.º 1, Lisboa, Abril de 2012



*


Era uma vez um cão, celeste e com dentes aguçados, obstinado numa crítica inclemente do que se passa à nossa volta. Mas demolir, apenas, é um exercício pobre, peca por falta de generosidade — ou de atenção — ao que de bom (sendo raro) se passa também à nossa volta. A prática da repulsa é tão necessária quanto os exercícios de admiração pelas vidas, obras e atitudes que nos continuam a (co)mover. Serão poucas, mas existem.

Não se pode falar, em rigor, de uma segunda vida do cão. O cão é eterno, ladra desde o tempo de Diógenes até à crítica do espectáculo feita por Debord ou ao riso iconoclasta de Alberto Pimenta, passando ainda por Montaigne ou Swift, entre muitos outros. Morrerá, a ladrar, quando este mundo cão morrer. Esta revista, porém, adopta a partir do presente número um grafismo diferente, que em nada contraria as premissas originais.

A esta inflexão gráfica correspondeu, por mérito do acaso, uma espécie de invasão poética bastante notória. Na verdade, a questão do género literário nunca nos inquietou, pois a ideia inicial foi reunir textos e imagens, abolindo fronteiras. Podemos, quando muito, deduzir de uma tão intensa colaboração lírica que a poesia continua a ser a melhor arma — e a mais inútil, também — para demonstrar a nus, despidos e andrajosos de luxo que o vosso reino pseudo-literário não nos interessa. Temos pena, isso sim, que este número do 'Cão Celeste' já não possa ser lido pelo Vitor Silva Tavares.


Breve nota editorial
in Cão Celeste n.º 8, Lisboa, Dezembro de 2015