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Negro brilhando arrastava consigo o nosso olhar,     por necessidade física de o vermos ser cão; nunca um cão a fazer o seu trabalho fora um tão minucioso movimento em espirais e volutas; fazia redemoinhar o centro do lugar onde estávamos arrastando consigo instrumentos de música e nascimentos; era uma forma correspondente ao branco potencial dos cordeiros que o tratavam respeitosamente por vós; nas águas frequentemente tão estagnadas do afecto, eles faziam variar as rotações mil vezes por unidade de salto.

Era um rebanho, Aramis?, era um agregado de estrelas luminosas vistas pelo lado baço da lã?, era a nossa constelação reanimando-se e, num esforço dos seus músculos, pousando, confidencialmente, a sua configuração na serra de Ossa?



Maria Gabriela Llansol, O raio sobre o lápis,
com desenhos de Julião Sarmento,
Lisboa: Europália, 1991

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