JOANA


Eu pensava que tinha
o problema resolvido
e ainda hoje um de alsácia
se aproximou e a minha pele
tremeu, a minha esperança
fugiu. Nunca terei
quem assim me defenda
dos dias banais, de outros
terrores, quem assim me encontre
com pouco para dar. Eu pensava
que tinha outra vida
a viver e uma noite propícia
a palavras deixou-me a verdade
e o impossível. Não se sabe já
quem conduz quem, passos,
sagrada obediência
adivinhando emoções na guarda
dos dias. Outra cegueira
é a minha, cortei-me nas mãos
e separei-me de mim, ouvi
os enganos do amor previsto.
Corre comigo enquanto
não posso, cheira-me as pernas
e reconhece o estranho, não gosto
de cães, só gosto de ti.



Helder Moura Pereira, Eliot e Larkin no comboio para Hull (1989)

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